segunda-feira, 28 de setembro de 2015

WADJDA


A inacessibilidade de determinados assuntos talvez expresse a certeza de que os mesmos não podem invadir (ou serem invadidos) pelo(s) campo(s) da arte.

Ledo engano.

Sendo a arte a ciência não-oficial da provocação, uma realidade fática pode adquirir nuances inesperadas se vistas dentro de um caleidoscópio que proporcione outra forma de ser captada, ainda que certos tabus que a envolvam sejam sacudidos.

O SONHO DE WADJDA (Wadjda - Arábia Saudita, Alemanha/2012) brota num local improvável, sob circunstâncias mais improváveis ainda.

A protagonista é uma menina de seus 10 ou 12 anos, que vive em Riad, Arábia Saudita. 

Criada sob o Islã, ela questiona os valores da sociedade em que vive, gerando os inevitáveis atritos na escola e em casa, ambiente no qual sua mãe já passa por uma insurgência perante o pai de Wadjda, dado que ele quer arrumar uma segunda esposa, algo perfeitamente natural entre os muçulmanos.


O sonho de Wadjda se traduz no seu desejo de ter uma bicicleta e andar pelas ruas da cidade com seu amigo Abdullah, mas dispensável dizer que no seu país as mulheres não podem guiar qualquer veículo.


Mas quem disse que Wadjda se conforma? 

Disposta a tudo para alcançar seu objetivo, ela se inscreve num concurso de leitura corânica e fabrica pequenos artesanatos, a fim de angariar dinheiro. 

Afinal, sonhos não têm limites. Ou teria?

Ganhador de diversos prêmios em festivais menores mundo afora, além de láureas no Festival de Veneza de 2012.

DE 0 A 10 = NOTA 9


Não só o personagem principal é alguém do sexo feminino, como a maioria do elenco e a própria diretora, Haifaa al-Mansour.


Pode ser considerado como o primeiro filme totalmente produzido na Arábia Saudita.

Em linhas gerais, é um trabalho que se destaca pela sua inovação, e por uma constatação tão óbvia que, pelo grau de sua simplicidade, passa despercebida.

Wadjda ignora todas as regras da sociedade em que se insere pelo prosaico fato de nada daquilo fazer o menor sentido para sua mente impoluta, pois as proibições ali vigentes, ao seu ver, não parecem legitimadas pela necessidade de se garantir o bem-estar dos cidadãos, em especial dela, uma menina que se tornará mulher um dia.

É evidente que o grau de emancipação feminina varia de nação para nação no mundo islâmico, mas estamos falando do país berço da religião muçulmana. E este ingrediente torna a fábula mais ainda atrevida.

Os atores se entregam aos seus personagens como que num ato de libertação, mesmo que como peças oponentes no jogo em que Wadjda disputa seu sonho. Provavelmente semiamadores, eles surpreendem com o único trunfo que têm para um enredo tão característico: eles são eles mesmos, sauditas.

Após ver o trailer, confira o filme. Vale o convite.


quinta-feira, 24 de setembro de 2015

A ACUSADA


A ACUSADA (Lucia de B. - Holanda/2014) nos traz uma história real e provocante.

Lucia de Berk é uma enfermeira holandesa com um comportamento reservado, porém muito profissional. 

Responsável pela UTI de um determinado hospital, de repente se vê acusada pela morte de sete bebês e idosos. 

Para piorar, as investigações apontam que nos hospitais por onde Lucia passou um número anormal de mortes súbitas ocorreu, quase todas em seus plantões.

Sob risco de pegar prisão perpétua, Lucia vê seu processo transcorrer por iniciativa da promotora Hansen e de sua assistente Judith, que, sendo nova no emprego, se empenha ao máximo em arranjar provas que contribuam para a condenação de Lucia.


Lucia é elevada aos status de persona non grata pela mídia na Holanda, enquanto que sua vida privada vai aos poucos, por meio das descobertas que Judith realiza, sendo revelada, mostrando uma história pessoal dramática e repulsiva.

Até onde vai a investigação? Qual o grau de culpa de Lucia? O que ela tem a dizer a respeito?

Candidato holandês para o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2014.

DE 0 A 10 = NOTA 9

Um filme de prender o fôlego, com vertiginosas surpresas, baseado num caso que sacudiu a Holanda em meados dos anos 2000.

Ariane Schluter, no papel de Lucia de Berk, é esmagadora, e ninguém fica inerte à sua atuação.

As imagens (exceto as que mostram flashbacks da vida da protagonista) se utilizam de um filtro frio, pesado, o que acentua o suspense da trama. 

Operadores de Direito e Enfermagem vão se deleitar com o enredo, além dos apaixonados por uma boa história policial.

Vale a  pena ver mais de uma vez.

Trailer a seguir.
(Resenha dedicada à minha amada esposa Eline, enfermeira comprometida com a ética numa profissão tão mal reconhecida e por vezes estigmatizada). 

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

ALPES


A única certeza que temos neste momento, e em todos os momentos vindouros, é que não ficaremos aqui, neste mundo, em caráter definitivo, por mais tempo que possamos insistir na permanência.

Paradoxalmente, é no embate a esta mesma constatação pétrea onde existe a maior manifestação de inconformismo da raça humana - negar a morte de todas as formas.

ALPES (Alpeis - Grécia/2011) é uma grata experiência sobre a questão em tela, e embora dê umas escorregadas (já já eu conto mais sobre isso), sua abordagem é satisfatória e naturalmente surreal, o que o diretor Yiorgos Lanthimos (do altamente controverso Dente Canino) se esmerou em potencializar.

ALPES é uma sociedade de quatro pessoas de perfis bem distintos (há um paramédico e uma ginasta, por exemplo), que se propõem, mediante pagamento, a "substituírem" pessoas falecidas.


O processo é o seguinte: as famílias em luto contratam um dos Alpes para incorporarem o parente falecido, quando o substituto imitará, com extrema precisão, todos os trejeitos da pessoa que partiu, desde o modo de falar e se expressar até preferências culinários e musicais, desde as virtudes aos piores defeitos, objetivando diminuir o trauma da perda.

Assim, por algumas horas no dia, eles brincam de mortos-vivos. Situações bizarras têm início a partir de então e se alongam pelo filme inteiro.

Então, um personagem começa a sair do limite da encenação, pondo o projeto em risco.

Ganhador de um dos prêmios de Melhor Direção no festival de Veneza de 2011.

DE 0 A 10 = NOTA 8

Uma boa ideia para se trabalhar, um resultado aquém do esperado.

O enredo tinha tudo para ser um divisor de águas no cinema europeu (e não apenas), mas fatores paralelos minaram um pouco esta pretensão.

A narrativa é inconstante, ora correndo mais que trem-bala, ora a passos de cágado, fato que angustia o espectador porque dá a sensação de que muita coisa pelo caminho ficou em aberto. 

A própria justificativa para o título do filme não me desceu bem pela traqueia, algo entre presunçoso ou mesmo ingênuo... enfim, perdido no meio da trama.

Porém, o motto original dá para salvar o filme, calcado num viés psicológico interessante de se debater.

De resto, boas interpretações e fotografia.

Trailer a seguir, em espanhol.


quinta-feira, 17 de setembro de 2015

SOBREVIVENTE

Preparados para sentirem muito frio?

Vamos hoje à Islândia, com o objetivo de conhecer uma história real que assombrou meio mundo e se transformou em filme, que estreou há pouco tempo por aqui.

SOBREVIVENTE (Djupith - Islândia/2012) narra uma aventura que beira o inimaginável: um barco pesqueiro naufraga na costa islandesa à noite, e o único sobrevivente é um marinheiro que precisa nadar no mar gelado para alcançar a costa.

Sim, Gulli está a bordo da pequena embarcação, que vai a pique a quilômetros da costa, à noite, no meio do inverno. Luta contra a gélida temperatura da água, as ondas, o vento forte, a falta de orientação, a má lembrança de ver seus amigos morrerem.

Mas enfim, ele chega em terra, para espanto de muita gente que fica sabendo da epopeia dias após.

O que Gulli não imaginava é que todos duvidariam de sua estória.


Nomeado para o Prêmio de Melhor Filme do Conselho Nórdico de 2012.

DE 0 A 10 = NOTA 9

Em 1984, durante uma noite de inverno, na costa das ilhas Vestmanneyjar, no sul da Islândia, houve um naufrágio, com um único sobrevivente: Guðlaugur Friðþórsson.

Gulli, como era conhecido, em muitos momentos teve que suportar a dor física, resultante da malfadada aventura, e da emocional, resultante da morte de seus companheiros, para enfrentar o ceticismo público resultante de um dado quase óbvio - como um ser humano sobreviveria por seis horas nadando em águas cuja temperatura era quase a do grau de congelamento?


Tal questão gerou, inclusive, experimentos médicos com o marinheiro, o que o trabalho também exibe.

Filme repleto de emoção, detonada pela exposição da pessoa de Gulli, que cresceu nas ilhas Vestmanneyjar, tendo que abandonar o arquipélago quando de uma erupção vulcânica. Cenas reais de arquivo desta erupção são mostradas, objetivando descrever a fibra de Gulli ante as adversidades. 

Um ótimo trabalho do diretor Baltasar Kormákur.

Trailer abaixo.



segunda-feira, 14 de setembro de 2015

ANTES DA CHUVA

"A Terceira Imagem da Tela" resolveu ir até a Macedônia - oficialmente, Ex-República Iugoslava da Macedônia, termo utilizado para não haver confusão (mesmo) com a região grega do mesmo nome - para relembrar um grande filme de meados dos anos 90.

ANTES DA CHUVA (Pred dozdot - Macedônia, Inglaterra/1994) se apresenta em três sequências demarcadas, mas que se entrelaçam, experiência recentemente repetida em filmes de Alejandro Iñárritu (21 Gramas, Amores Brutos, entre outros), sendo que de maneira mais relaxada, o que dá ao espectador mais liberdade de se envolver no roteiro - nada contra Iñárritu, do qual tenho muitos elogios a fazer.

A história se passa, como já citado, na Macedônia, especificamente após este país se desvencilhar da Iugoslávia, antiga nação que era composta de seis repúblicas federadas e cujo processo de desintegração foi bem heterogêneo, tendo a Eslovênia se separado sem praticamente nenhum confronto bélico, enquanto que a Bósnia-Herzegovina mergulhou numa guerra horrorosa por três anos e que até hoje rende más consequências ao país.

A Macedônia vivenciou poucos episódios sangrentos, mesmo porque era a parte mais pobre e distante da Iugoslávia, e talvez por isso não valeu tanto a pena brigar por ela, e parte deste conflito é mostrado no filme em questão.

Na primeira parte, denominada Palavras, nuvens de chuva vêm se aproximando Kiril, um monge macedônio que fez voto de silêncio, descobre uma albanesa escondida em sua cela no mosteiro, a qual é acusada de assassinar outro macedônio. Mesmo sem entender nada do que a moça fala (e mesmo se compreendesse, dado o voto de silêncio, Kiril não trocaria sequer um "olá" com ela), ele a oculta dos seus superiores, pondo todo o mosteiro sob perigo quando guerrilheiros macedônios insistem em vasculhar o local à procura da suposta homicida.

Na sequência, Rostos se desenrola a quilômetros dali, em Londres, onde a editora Anne tem um relacionamento extraconjugal com o premiado fotógrafo Aleksander (grandemente interpretado pelo grande Rade Serbedzija, de Busca Implacável II), o qual quer que ambos vão para a Macedônia, sua terra natal. Mas para isso, Anne tem que se resolver com seu marido Nick, e num jantar a dois em um restaurante londrino, alguns eventos dão a tônica deste impasse.

Imagens, a terceira parte, nos leva de volta à Macedônia, conjugando os dois primeiros trechos do filme, quando Aleksander decide se estabelecer de vez em sua aldeia, mas se surpreendendo ao encontrar albaneses e macedônios, que conviviam pacificamente, guerreando entre si, tendo ele dificuldade de entender como vai se relacionar com uma ex-amiga, albanesa, cuja irmã desapareceu acusada de matar um macedônio, o que ocorreu ANTES DA CHUVA...

Prêmio de Melhor Filme do Festival de Veneza de 1994.

DE 0 A 10 = NOTA 10!

Obra que foi pioneira em mostrar os conflitos étnicos que assolaram os Bálcãs por décadas pós-comunismo, sendo praticamente o mais brilhante filme macedônio produzido até hoje.

A fotografia é inebriante, com ênfase em cenas estáticas que vão desde as inóspitas montanhas macedônias, pontuadas de vilarejos e mosteiros ortodoxos, até recantos de Londres. 

A trilha sonora, assinada pelo grupo Anastasia, cem por cento composta por elementos balcânicos, caiu em cheio no meu gosto. 

As interpretações são marcantes, de uma dramaticidade hercúlea.

O roteiro, como mencionado, resulta no casamento de duas histórias que virtualmente pouco tinham em comum, mas que se mesclam de um modo maravilhoso.

Porém, as três partes, da forma como tudo ocorre, poderiam perfeitamente ser arranjadas em qualquer ordem, não importando qual iniciaria e qual encerraria esta tripartição, o que se justifica na frase-moral-da-história que é dita mais de uma vez neste filme:

"O tempo nunca morre; e o círculo nunca é redondo".

Um épico!

Abaixo, uma canção do soundtrack, Pass Over (espetacular!), com cenas do filme.  


quinta-feira, 10 de setembro de 2015

BABAR: O FILME


BABAR: O FILME (Babar: The Movie - França, Canadá/1989) é um longa-metragem que traz o personagem homônimo, criado pelo ilustrador francês Jean de Brunhoff no distante ano de 1931, em uma grande aventura.

Ele é um elefante carismático, rei da Terra dos Elefantes, casado com a Rainha Celeste, com quem tem quatro elefantinhos.

Instigado pelos filhos a contar sua história, no dia do Desfile da Vitória, ele narra os primeiros momentos em que se tornou rei, ainda pequeno, quando herdou a coroa.

Naquele momento, ele ficou sabendo pela sua prima Celeste (com quem mais tarde se casaria) que o lorde dos rinocerontes, Rataxés, iria atacar a Terra dos Elefantes.

Não querendo se submeter à burocracia do reino, que se empenha em analisar a viabilidade de um contra-ataque, e descobrindo que a aldeia de Celeste foi incendiada, Babar abandona o palácio real e se embrenha na perigosa selva tentando ajudar a prima, cuja mãe foi levada como escrava para a terra dos rinocerontes junto com outros elefantes adultos.

Babar terá de usar de astúcia e honrar seu posto de rei, mesmo sendo apenas um jovem elefante, embora conte com a ajuda do seu primo Artur e do macaco Zephir, a fim de evitar a invasão de seu reino pelo malvado Rataxés e seu temível exército.

DE 0 A 10 = NOTA 9

BABAR, em verdade, é uma série de desenhos diferentes, que aqui no Brasil foram transmitidos pela TV Cultura durante um bom tempo.


Poucos desenhos animados discutem valores tão caros como companheirismo, fidelidade e integridade como este.

Seja adulto, seja criança, todos que assistem se rendem a este clássico da animação.

Um pequeno trecho do filme.


(Resenha dedicada à minha filha Isabel, que é o mesmo nome da filhinha de Babar que pede ao pai para contar a história acima).

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

STALKER

Atualmente, o gênero ficção científica não detém mais a flamejante atração de outrora.

Alguns representantes atuais - Sob a Pele e Interestelar, por exemplo - têm reacendido o fascínio por este tipo de filme, que costumava aguçar os sentidos e criar imagens de um potencial futuro onde muito do diapasão disposto não dependeria de ações e sequer do pensamento humano, mas seriam resultados diretos do antigo querer do nosso âmago em gerar uma sociedade perfeita.

Daí a denominação alternativa que muitos críticos dão a esta vertente cinematográfica - ficção futurista, a se considerar a epistemologia como pilar sine qua non de nossa natural evolução.

STALKER (Stalker - URSS/1979), inspirado no romance Piquenique à Beira da Estrada, dos irmãos Strugatsky, trabalha esta possibilidade de um modo esplendoroso, pois como um deleitoso adicional, mescla elementos filosóficos e psicológicos a uma trama sem paralelo.

Um meteoro cai numa região afastada de um país não revelado. A área, batizada de "Zona", é rapidamente isolada pelo governo e se torna virtualmente intransponível, com vigilância ostensiva.

Fala-se que aqueles que ingressam na Zona passam por uma interação especial com aquele ambiente, e dois homens, conhecidos apenas como Escritor e Professor, desejam conhecê-la de perto, ainda mais quando se sabe que aquele que o consegue realizará, lá dentro, todos os seus desejos mais íntimos, ao adentrar num recinto específico - o Quarto.

Um stalker (palavra inglesa para "perseguidor", no sentido de alguém que sempre fica de tocaia) é procurado por Escritor e Professor (o primeiro, carente de inspiração; o segundo, buscando novos achados científicos) já que somente ele saberia o acesso para adentrar na Zona. Assim, o grupo efetivamente concretiza o plano, encarando uma experiência que jamais acreditariam viver.

Prêmio do Júri Ecumênico do Festival de Cannes de 1980.

DE 0 A 10 = NOTA 10!

O brilhantismo de STALKER é expor a inafastável sinergia entre o conceito real e a metáfora de todas as manifestações que concebemos em nosso meio circundante.

O mundo "real", nesta obra, é opressor e impessoal, o que bem se retrata na fotografia usada, com filtros quentes e bicolores, apresentando lugares desolados e alienantes, ao mesmo tempo em que habitado por diversas espécies da fauna humana, a qual - conforme se atestaria - falhou em sua tentativa de formatar um planeta bom para se viver.

Então, o que seria a Zona, que na película se mostra colorida, vasta e variada em paisagens?

Quando se sugere a possibilidade de uma passagem, devendo os candidatos empreenderem a ativa obrigatoriedade de executá-la, a conotação ganha asas de longos remígios.

Seria o Céu, onde as dores desapareceriam e as lágrimas cessariam, já que o meteoro representaria a intervenção divina em abreviar o processo de destruição desta hipotética Pangeia detonado por nós mesmos...

Seria outro planeta, um catalisador final para a remissão do homem, como uma "segunda chance" para se tentar acertar e construir um meio antropológico edificante, e não autofágico...

Quem sabe um universo paralelo, disponível a qualquer tempo, em qualquer lugar, como um delivery de fast food, no qual todos poderiam resgatar sua condição de ser reflexivo - ou mais ainda, dado que entrando no Quarto, os sonhos se tornam reais...

Talvez tudo isso - ou coisa outra ainda não captável, pois uma quase-miríade de referências bailam nesta fantasia (desde um trecho do livro bíblico de Daniel até excertos de Shakespeare são proferidos), o que demonstra a amplitude do enredo.

Um filme para sempre, magistral, em que Andrei Tarkovski, mais uma vez, reafirmou seu nome como um dos melhores diretores soviéticos.

E apenas a termo de curiosidade:

1 - Grande parte das filmagens teve lugar em uma usina química desativada em Jägava, na Estônia,  o que justificou o fato de muitos integrantes do elenco, como também o diretor Tarkovski, terem morrido de câncer anos mais tarde;

2 - A trilha sonora é assinada pelo genial Eduard Artemyev, que colaborou com Tarkovski em outras realizações, como Solaris e Sibiriada, este último um filme que estou tentando ver há muito tempo. 

Em STALKER, Artemyev utilizou recursos psicodélicos aliados a solos de tar, um milenar instrumento de cordas da Ásia Central.

Seguem abaixo os links para o trailer em inglês...

https://www.youtube.com/watch?v=GM_GOpfEQUw

... o tema de Stalker...

https://www.youtube.com/watch?v=pP1QXKbhqr4

... e o tema de Sibiriada, este como sendo um dos soundtracks mais belos que já ouvi.

https://www.youtube.com/watch?v=sJj9y4t9UnU

(Resenha dedicada a meu pai, entusiasta de filmes de ficção científica).