
Filmes policiais são parte de um gênero que agrada a grande maioria dos cinéfilos, e mesmo aqueles não muito afeitos ao cinema.
Alguns se destacam por serem inspirados em fatos que realmente aconteceram, e dentro deste grupo existe um subconjunto, composto por aqueles que foram baseados em casos verídicos e que trazem um componente diferenciado.
CIDADÃO X (Citizen X - EUA/1995) se encaixa nesta última categoria, por motivos peculiares.
Uma série de assassinatos brutais, cujas vítimas são crianças e mulheres, não desperta muita atenção das autoridades soviéticas nos anos 80, as quais se limitam a investigar cada caso isoladamente, isto por meio da inoperante burocracia característica daquele regime.
Intrigado, um legista, examinando os corpos, percebe o mesmo modus operandi entre os crimes, o que lhe leva a deduzir que se tratam de atos provocados por uma única pessoa, mas sua tese não convence seus superiores.
Obstinado, o médico é auxiliado, às escondidas, por um alto oficial russo, que está convicto de que um serial killer (sem mencionar esta nomenclatura em momento algum) é o responsável pelos homicídios, e ambos somam esforços na captura do criminoso, num país que não dá qualquer suporte para este tipo de trabalho.
No elenco, os competentes Stephen Rea e Donald Sutherland.
Melhor filme no Sitges Film Festival de 1995.
DE 0 A 10 = 8,5
A razão para este filme se sobressair, entre tantos filmes que abordam assassinos em série, é exatamente pela não aceitação terminológica do tipo penal ali narrado pela ex-URSS - assassinatos em série.
O filme narra a real história de Andrei Chikatilo, um cidadão soviético comum que de 1978 a 1990 cometeu bárbaros crimes em Rostov, uma cidade perto de Moscou, sem despertar qualquer suspeita, já que suas vítimas eram, em sua maioria, indivíduos que o próprio regime comunista se empenhava em omitir a existência (crianças de rua, prostitutas, dependentes químicos etc).
Ademais, um ponto muito interessante é que aquele governo julgava os serial killers como um fenômeno exclusivo da "decadente civilização ocidental", impossível de ocorrer em países socialistas, se negando a enxergar os acontecimentos em Rostov como algo fora do normal.
Aliado a este dado, a polícia da época não possuía o menor traquejo de lidar com uma situação tão atípica, pois era um aparato essencialmente treinado para coibir apenas delitos políticos e pequenas infrações civis, o que fez com que os investigadores trabalhassem às cegas, à procura de uma pessoa de quem sequer tinham a menor pista, um cidadão obscuro e incógnito por completo, um Cidadão X.
Tudo isso deu a Chikatilo todo tempo e recurso para agir de maneira tão perversa, praticamente sob um auspício involuntário de uma sociedade que não reconhecia que entre eles poderia haver um demente tão perigoso.
Vai aí o trailer em espanhol.


































