
A Vida é Bela, ganhador do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 1998, que desbancou, entre outros, o brasileiro Central do Brasil, mostrou ao mundo uma outra perspectiva - e humorística! - de um assunto espinhoso: o Holocausto Judeu na 2ª Guerra Mundial.
Mas engana-se quem pensa ter sido este o único filme a ousar uma releitura divertida de um período tão nefasto da história da humanidade.
Entre outros que se aventuraram neste sentido, TREM DA VIDA (Train de Vie - França, Bélgica, Holanda/1998) é bem menos conhecido, mas igualmente encantador.
Narra a história de um shtetl (povoado tradicional judeu) em algum país da Europa Oriental, em plena 2ª Grande Guerra.

Tudo está em paz, até que surge o boato de que os nazistas irão deportar todos os habitantes para os campos de concentração.
E em meio ao tumulto, o bobo da aldeia, Shlomo, sugere uma ideia mais do que original: os próprios habitantes do shtetl construirão um trem, fingindo uma deportação, alguns deles se passando por nazistas e outros por prisioneiros.
Como única solução que resta, assim se sucede. E tem início a uma série de situações inenarráveis.
Premiado pela crítica internacional no Festival de Veneza de 1998.
Premiado pela crítica internacional no Festival de Veneza de 1998.
DE 0 A 10 = NOTA 10!
Não entendo até hoje como este filme ainda é tão desconhecido por alguns cinéfilos.
Uma obra-prima do cinema político e grande amostra do cáustico e racional humor judaico.
Não tem como ficar indiferente diante do enredo muito bem elaborado.
Por trás do jogo de poderes, ideologias distintas e incertezas quanto ao futuro, um libelo à vida se revela.
Os personagens são marcantes, todos desempenhando muito bem o papel que lhes coube.
E o líder dos rabinos, que figura!
Assisto diversas vezes seguidas e não me canso.
Abaixo, uma cena antológica: o duelo musical entre os judeus fugitivos e um grupo de ciganos, outro povo que historicamente sofreu barbaridades nas mãos dos nazistas.

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