segunda-feira, 21 de setembro de 2015

ALPES


A única certeza que temos neste momento, e em todos os momentos vindouros, é que não ficaremos aqui, neste mundo, em caráter definitivo, por mais tempo que possamos insistir na permanência.

Paradoxalmente, é no embate a esta mesma constatação pétrea onde existe a maior manifestação de inconformismo da raça humana - negar a morte de todas as formas.

ALPES (Alpeis - Grécia/2011) é uma grata experiência sobre a questão em tela, e embora dê umas escorregadas (já já eu conto mais sobre isso), sua abordagem é satisfatória e naturalmente surreal, o que o diretor Yiorgos Lanthimos (do altamente controverso Dente Canino) se esmerou em potencializar.

ALPES é uma sociedade de quatro pessoas de perfis bem distintos (há um paramédico e uma ginasta, por exemplo), que se propõem, mediante pagamento, a "substituírem" pessoas falecidas.


O processo é o seguinte: as famílias em luto contratam um dos Alpes para incorporarem o parente falecido, quando o substituto imitará, com extrema precisão, todos os trejeitos da pessoa que partiu, desde o modo de falar e se expressar até preferências culinários e musicais, desde as virtudes aos piores defeitos, objetivando diminuir o trauma da perda.

Assim, por algumas horas no dia, eles brincam de mortos-vivos. Situações bizarras têm início a partir de então e se alongam pelo filme inteiro.

Então, um personagem começa a sair do limite da encenação, pondo o projeto em risco.

Ganhador de um dos prêmios de Melhor Direção no festival de Veneza de 2011.

DE 0 A 10 = NOTA 8

Uma boa ideia para se trabalhar, um resultado aquém do esperado.

O enredo tinha tudo para ser um divisor de águas no cinema europeu (e não apenas), mas fatores paralelos minaram um pouco esta pretensão.

A narrativa é inconstante, ora correndo mais que trem-bala, ora a passos de cágado, fato que angustia o espectador porque dá a sensação de que muita coisa pelo caminho ficou em aberto. 

A própria justificativa para o título do filme não me desceu bem pela traqueia, algo entre presunçoso ou mesmo ingênuo... enfim, perdido no meio da trama.

Porém, o motto original dá para salvar o filme, calcado num viés psicológico interessante de se debater.

De resto, boas interpretações e fotografia.

Trailer a seguir, em espanhol.


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