quinta-feira, 28 de maio de 2015

CURTINDO A VIDA ADOIDADO

Nos anos 80, o cinema americano se empenhou em disseminar o American way of  life mundo afora, influenciando multidões de jovens - e não apenas eles.

Muitos filmes e suas eventuais sequências, como Rambo, Braddock, Um Tira da Pesada e congêneres, que hoje são saudosos ícones da época, tiveram o propósito de vender a imagem dos EUA como país dos invencíveis, dos bem-sucedidos e descolados.

De algum modo, deu certo. E ao comentar CURTINDO A VIDA ADOIDADO (Ferris Bueller´s Day Off - EUA/1986), este imperativo se torna maiúsculo.

Certo dia, Ferris Bueller, alegando estar adoentado, resolve matar aula. Leva junto a sua namorada e o aloprado irmão desta para um dia inteiro de zoação em Chicago.

Ao mesmo tempo, o diretor da escola e a invejosa irmã de Ferris, cada qual no seu quadrado, tentam pegá-lo no flagra...

DE 0 A 10 = NOTA 9.

Certamente eu não daria uma nota tão elevada na época em que eu vi este filme pela primeira vez.

O que era então mais um besteirol americano hoje se tornou cult, e muitos da minha geração vão se lembrar de como queríamos ser (e agir) como Ferris, que naquele período - fins da década de 80 - representava o supra-sumo da transgressão moral para nós, pobres nerds embrionários (matar aula era um tabu para muitos, ao menos no colégio onde estudei).

A irresponsabilidade de Ferris Bueller como a atitude mais responsável que deveríamos tomar hoje, diante do que o mundo se tornou de lá para cá.

Posto minha cena favorita - e não apenas porque se vê nela a tela "Nighthawks", obra de Edward Hopper, meu pintor favorito. Ainda que curtíssima, mostra os três personagens principais no museu, cada um à sua maneira, se entregando a eles mesmos. 



E não podia faltar a apoteótica cena da parada!



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