Em comparação ao imenso legado humanista que a Grécia proporcionou ao mundo, o cinema grego, fora de suas fronteiras, é relativamente mais modesto e menos conhecido.

Entretanto, algumas obras têm ganhado destaque na crítica ao longo dos anos, e com a constante multiplicação das premiações internacionais, tem sido comum ver em alguma(s) categoria(s) filmes oriundos da terra de Zorba, O Grego.
Um dos seus cineastas mais aclamados foi Theo Angelopoulos (nome cuja grafia correta é Theo Angelópulos, mas vou utilizar a que todos mencionam, pois foi com a qual ele se consagrou), conhecido pelo seu cinema intimista, sua câmera que lentamente passeia no ambiente e sua maestria em mesclar elementos da história grega antiga e recente com fatos do cotidiano.
Um de seus primeiros trabalhos que foram laureados no estrangeiro é PAISAGEM NA NEBLINA (Topío stin omíchli - Grécia, França, Itália/1988).
No filme, dois irmãos fogem de casa, em algum lugar da Grécia, à procura do pai, que supostamente mora na Alemanha.

Durante a viagem, previsivelmente difícil, encaram situações que os fazem aprender mais sobre suas realidades, interna e externamente, num amadurecimento prematuro em meio a improváveis coadjuvantes.
Vencedor do Leão de Prata do Festival de Veneza de 1988 e escolhido o Melhor Filme Europeu de 1989.
DE 0 A 10 = NOTA 10!
Se existe algo a dizer em defesa de PAISAGEM NA NEBLINA é que não há propaganda enganosa quanto ao pretenso final feliz que a sinopse presumivelmente assinala a quem se destina a assisti-lo - já nos primeiros minutos de filme se fica sabendo que não existe pai algum.
Portanto, melhor se deter a detalhes que, via de regra, teriam uma influência secundária.
Fazendo isso, uma experiência única se revela à plateia.
Angelopoulos investe na contemplação nos momentos mais cruciais desta fábula, ao invés de se entregar ao melodrama que o enredo, por si só, já traz (ainda que muito se dialogue por todo o filme).
O espectador exercita a imaginação em várias partes, como se fosse instigado a completar as rimas de uma poesia inacabada.
Se o silêncio pudesse gritar, seria, sim, neste filme.
Lindo.
Simplesmente.
Abaixo, o trailer em espanhol.

Nenhum comentário:
Postar um comentário