
Para o riquíssimo contexto que a divisão ideológica a qual a Alemanha viveu na Guerra Fria sugere, não temos visto a Sétima Arte exibir muitos frutos que retratem este apaixonante assunto - pelo menos aqui no Brasil não temos uma variedade sobre isso.
BARBARA (Barbara - Alemanha/2012) traz um alento àqueles que buscam entender com razoável exatidão como a República Democrática Alemã (RDA), em sua efêmera existência como Estado, tratava seus cidadãos, reforçando a real necessidade de os alemães entenderem a si mesmos.
E Barbara é uma médica, lá pelo início dos anos 80, lotada em Berlim Oriental, a capital da RDA, cidade na qual não permanece por muito tempo.
Em razão de ter tentado um visto para partir do país (o que, em se tratando de profissionais gabaritados, como é o caso de Barbara, não era algo muito bem visto), ela recebe como punição uma transferência a trabalho para uma cidadezinha afastada, na costa do Mar Báltico.
Visivelmente contrariada - sentimento que parece que ela propositalmente não faz a menor questão de ocultar - lida com todos ao seu redor de forma, digamos, profissional, um eufemismo para um comportamento arrogante. Seja com superiores, inferiores, vizinhos, pacientes, Barbara destila rancor...
Paralelamente, é vigiada pela Stasi (polícia política da RDA), que a submete a revistas-surpresa humilhantes, o que não a impede de ainda manter contato com seu namorado oculto, que de vez em quando visita furtivamente a vila onde vive Barbara, se encontrando com ela nos bosques ou em praias desoladas. Ele a ajuda, por meio de pequenas somas de dinheiro e mapas rabiscados em pedaços de papel, a elaborar um plano de fuga via mar.
Mas sua autodefesa começa a ser minada quando ela conhece Stella, uma jovem problemática, ingressa num reformatório para doutrinação política e que sofre abusos de diversas naturezas. E empenhada em ajudar a garota, ao mesmo tempo em que um colega de profissão insiste em conhecê-la melhor, Barbara passa a compreender que sua presença naquele lugar não é acidental.
Escolhido para representar a Alemanha no Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2013, tendo ganhado o Leão de Prata de Melhor Direção no Festival de Berlim daquele mesmo ano.

DE 0 A 10 = NOTA 9
O processo de descoberta do alter ego que Barbara passa é lento, mas não resvala numa maçante reflexão sem sentido sobre o papel dela no mundo ao seu derredor.
Ela reluta em aceitar os fatos que vão surgindo em sua vida de ostracismo, e esta resistência torna o filme interessante, na medida em que quanto mais Barbara tenta afirmar as convicções que a nortearam por toda vida, mais ela percebe que seu maior algoz não é o regime político de seu país, mas seu próprio ser.
Uma boa fotografia, um bom enredo, enfim, um bom filme.
Ainda para ser descoberto por muita gente.
Trailer.

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