Quando a Coreia do Sul resolveu marcar seu território no mapa da cinematografia, o fez com um apetite insaciável.
Oldboy, Mother e Poesia, entre outros, são exemplos de premiadas produções ali feitas, sendo amostras dos mais conhecidos filmes de uma nova escola do cinema, que possui um amplo leque de temáticas, mas praticamente todas elas trazidas à grande tela por meio de roteiros sóbrios e caracterizados pela dramaticidade mais crua possível (até mesmo um pouco exagerada, frequentemente).
No entanto, por uma ironia de conceituação ainda nebulosa, não existem muitas produções que abordem um dos aspectos mais propalados na inteligência universal quando o assunto é Coreia: a profunda divisão ideológica - e geográfica - que este país ainda vivencia.
Temos então as Coreias do Norte e do Sul. A primeira, comunista; a segunda capitalista. Sim, estamos perante a última fronteira explícita da Guerra Fria, que volta e meia chega aos noticiários na pessoa de Kim Jong Un, o herdeiro da dinastia comunista que governa a Coreia do Norte e insiste em afirmar sua superioridade bélica, ameaçando fritar atomicamente seu vizinho-irmão do Sul, os EUA e quem mais se meter no seu trajeto.
Boas razões, então, para assistirmos a ZONA DE RISCO (JSA/Gongdonggyeongbiguyeok jeieseuei - Coreia do Sul/2000).
O filme narra um incidente noturno na fronteira entre os dois países, onde o sargento sul-coreano Lee sai ferido após uma troca de tiro em que dois soldados da Coreia do Norte morrem.

Na tentativa de esclarecer logo o caso e pôr fim ao crescente clamor por uma guerra total (naquela região do mundo, praticamente basta um soldado sacudir uma pedra na cabeça de um oponente para tal frenesi ser detonado), o exército da Coreia do Sul inicia as investigações unilateralmente.
Na contagem das balas que perfuraram os corpos de todos os envolvidos - vivos e mortos - e das que ainda restaram no armamento presente, a conta não fecha, pois uma bala a mais é encontrada.
Suspeitando-se de que terceiras pessoas estariam no local no dia e na hora do tiroteio, uma comissão independente de investigação, formada por membros suíços e suecos (nações beligerantemente neutras em qualquer instância), assume o inquérito, levando-os a descobrir, passo a passo, que muito mais gente está envolvida no episódio e cujos interesses não são tão claros.
Nomeado para o Urso de ouro do Festival de Berlim de 2001.

DE 0 A 10 = 8,5
Trama muito bem elaborada e eletrizante.
A fotografia tem seus momentos poéticos, refletindo o sentimento de alguns dos personagens, os quais embora comprometidos no esforço de guerra, sonham com a reunificação da pátria.
O trabalho de montagem do roteiro deve ter sido muito trabalhoso, pois a cronologia parece meio dispersa de início, mas não há nada que venha a comprometer a trama em si.
Concernente a se entender as doutrinações políticas atreladas ao tema, é uma ótima oportunidade para tal objetivo.
Por fim, a sigla JSA, que aparece no título original do filme, é o acrônimo em inglês para Joint Security Area, que é como se denomina um setor da Zona Desmilitarizada, que abrange por completo a fronteira entre as duas Coreias.
Temos o trailer em espanhol.

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