Existe uma Geórgia que não é aquele Estado norte-americano, no qual fica a cidade de Atlanta e de onde vez por outra surgem filmes que abordam o passado escravocrata dos EUA.
Falo da ex-república soviética da Geórgia, um belíssimo país, dono de uma das mais lindas bandeiras nacionais (ao lado), que foi um grande império na Idade Média e hoje tenta se manter, meio que precariamente, após o passado comunista.
É de lá que vem a fábula de hoje, chamada DESDE QUE OTAR PARTIU... (Depuis qu'Otar est parti... - Geórgia, França Bélgica/2003)
Tbilisi, capital do país. Marina, uma ex-engenheira que trabalha no mergado de pulgas da cidade, vive num apartamento com sua filha, Ada, uma estudante universitária, e sua idosa mãe Eka.
Eka só tem olhos para Otar, seu filho médico que partiu para Paris, onde trabalha como taxista, já que na Geórgia a crise econômica está em franca ascensão.
Marina, naturalmente, tem ciúmes desta relação, o que faz com que frequentemente entre em choque com a mãe pelas mínimas coisas que conversam - desde política a gostos musicais.
Marina, naturalmente, tem ciúmes desta relação, o que faz com que frequentemente entre em choque com a mãe pelas mínimas coisas que conversam - desde política a gostos musicais.
Ada tenta ficar alheia ao conflito, mas curiosamente ela é o esteio entre Eka e Marina, tratando sua mãe e sua avó com muita ternura.
Otar costuma mandar cartas a Eka, sempre junto com uma pequena soma de dinheiro.

Um dia, as cartas param de chegar sem qualquer razão, ocasião em que Marina e Ada criam diversas situações para preservar Eka, que concentrou no seu filho suas esperanças no futuro que ainda lhe resta.
Grande Prêmio da Semana da Crítica do Festival de Cannes de 2003.
Grande Prêmio da Semana da Crítica do Festival de Cannes de 2003.
DE 0 A 10 = NOTA 9
Curioso ver que parte dos diálogos é em francês, o que se justifica pela ligação afetiva que os antepassados da família possui com a França, aliado ao fato de a Geórgia ser membro observador da Francofonia, uma região geográfica que abrange todo o planeta e engloba os países francoparlantes (a Geórgia não fala francês, lembremos, mas sim georgiano e, como língua veicular, o russo).

O filme serve, não tanto involuntariamente, como uma vitrine para se conhecer como foi o processo de transição das repúblicas socialistas soviéticas para nações capitalistas.
As três mulheres encarnam toda uma geração de georgianos que tentava se acostumar a um mundo completamente novo, ao mesmo tempo em que a nostalgia da ex-URSS costumava bater à porta.
Nesta cativante história, uma valiosa reflexão sobre os reais valores da vida tem lugar, sendo a dinâmica família o axioma de toda esta análise.
Trailer deste maravilhoso trabalho, em inglês.
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