Brasil-sil-sil!

Hoje "A Terceira Metade da Tela" faz um pit stop em casa, para falar de um filme que fez um sucesso estrondoso quando estreou nos cinemas nacionais, em meados dos anos 90, mas que hoje apenas os cinéfilos inveterados o têm na (boa) lembrança - TERRA ESTRANGEIRA (Brasil, Portugal/1996).
È vero que o tema musical, interpretado por Gal Costa, e a participação de Fernanda Torres no elenco (atriz com tendência nata para o cinema, muito mais que para a TV) deram um fôlego extra a uma produção já destinada a surpreender o público, mas o enredo tem méritos próprios, abordando um tema que até então era obscuro por aqui: a imigração ilegal de brasileiros para a Europa.
Tudo começa quando Paco, um jovem desempregado, perde quase ao mesmo tempo a mãe e as economias que esta mantinha na caderneta de poupança. Como a trama se passa no início do governo do ex-presidente Fernando Collor de Mello, dá para entender como esse dinheiro evaporou...
Paco sempre alimentou o sonho de conhecer a terra de seus antepassados - o País Basco, um pedaço nervoso do norte da Espanha - e está bastante revoltado com o Brasil, além de sem emprego, conjunção de fatores que o leva a aceitar transportar um pacote suspeito para Portugal, a pedido de um homem que ele nunca viu na vida, tendo a viagem de ida completamente paga para tal fim, sem sequer ele saber o conteúdo da encomenda.
Com um roteiro assim, o que você, leitor, acha que acontece?
Pois é, dá um buruçu daqueles.
Pois é, dá um buruçu daqueles.
E daí em diante? E onde Fernanda Torres entra na história?
É meu dever de ofício lhes recomendar assistir para descobrir.
Ganhador da Margarida de Prata de 1997, prêmio que a CNBB dedica a filmes que discutem profundamente os valores humanos.
DE 0 A 10 = NOTA 9
TERRA ESTRANGEIRA apareceu na época em que o cinema brasileiro de boa qualidade saía da UTI, após quase ser ferido de morte: em 1990, Collor extinguiu por decreto a Embrafilme, estatal que tinha por finalidade divulgar o Brasil por meio de produções cinematográficas, aqui e lá fora.
Desde então, quase nada caseiro de bom era exibido nas nossas telonas, situação esta que começou a mudar ainda nos anos 90, quando, por exemplo, tivemos três indicações quase seguidas para o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro - O Quatrilho, O que é isso, Companheiro? e Central do Brasil.
Bons tempos aqueles...
Totalmente em preto e branco, o que acentua a atemporalidade e a dramaticidade da trama, o filme conta com um elenco muito bom (fora a já mencionada Fernanda Torres, lá estão Laura Cardoso, Alexandre Borges, o talentoso Luis Mello, além de atores portugueses e outros brasileiros), ao mesmo tempo em que explora uma fotografia diferenciada e inspiradora.
Vale muito a pena ver!
Olha o trailer!


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