Dia desses, quando percebi um trabalho vindo da América Central disponível para ser assistido, fui de imediato conferir.
Tenho certeza que muitos filmes de boa qualidade são feito naqueles países, mais conhecidos pelo vibrante turismo, porém é lamentável que não se dê muita difusão aos mesmos, seja porque os estúdios não tenham interesse pelas tramas, ou porque de fato seus próprios realizadores não esperam um êxito naquilo que fazem.
Não creio nesta segunda possibilidade, até porque quem produz qualquer obra cinematográfica visa expandi-la até o rincão mais longínquo.
Sob esta órbita, se A JAULA DE OURO (La Jaula de Oro - México/2013), chegou às antípodas do planeta, não se pode afirmar com segurança, mas que este filme se destacou de uma maneira especial, isso é inegável.
Seu enredo mostra a história de três jovens, dois rapazes e uma moça, que vivem em uma favela na Guatemala e que decidem partir de casa com o objetivo de atravessar ilegalmente a fronteira norte-americana e encontrar trabalho nos EUA.
Entre os dois países está o gigante México, e é ali que um índio se junta aos adolescentes na incerta jornada na tentativa de terem uma vida mais digna em solo ianque.
No longo percurso que trilham, muitos perigos e desafios ora estreitam seus laços de amizade, ora os põem um contra o outro. Mas a viagem segue, sem a certeza de que haverá a concretização do sonho em comum que eles cultivam.
Vencedor de dois prêmios na 37ª Mostra de Cinema de São Paulo, além da láurea A Certain Talent para o seu diretor, Diego Quemada-Diez, no Festival de Cannes de 2013.
DE 0 A 10 = NOTA 8
O roteiro do filme serve como espinha dorsal para uma análise dos problemas que se abatem sobre os países daquela região do mundo.
Narcotráfico, corrupção política e policial, pobreza, trabalho clandestino, tudo incorporado numa história em que a falta de alternativas gera um destemor que não sabíamos que era possível se manifestar.
A América Central, dada a proximidade com os EUA, tem sua história recente muito atrelada àquela nação do Norte, mormente no campo econômico, não tendo os americanos o menor desejo que aqueles países se emancipem, porque grandes fornecedores de mão-de-obra barata.
Sobre isto, reportagens recorrentes, algumas baseadas em estudos de pequenas ONG´s e da Anistia Internacional, apontam que a imigração ilegal de trabalhadores que chegam do México para baixo, de certa maneira, sofre vista grossa dos EUA quando lhes é conveniente, e quando não, é punida com extremo rigor, e paralelamente, alguns governos da região, em especial o México, até estimulam este fluxo, pois assim têm menos dor de cabeça em lidar com o desemprego doméstico.
A questão principal do filme é avaliar o custo-benefício de uma mudança não apenas geográfica, em que a busca por melhoria pode até nos trazer os esperados frutos, mas onde igualmente é cobrado um preço moral que não raro nos aprisiona - onde? - numa jaula, ainda que de ouro.
Segue o trailer.



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