A Polônia é um país que muito tem contribuído para a Sétima Arte.
Dona de uma história rica, não se requer um esforço hercúleo para se criarem grandes épicos, mesmo quando este país estava enfurnado na Cortina de Ferro (aliás, por oportuno, o cinema polonês serviu como uma das principais "janelas" para o Ocidente conhecer como era o cotidiano dos países comunistas do Leste Europeu).
Prova disso é a memorável coletânea Decálogo, de Krzysztof Kieslowski - onde se ensaia, em dez filmes distintos, como seria a pragmática dos dez mandamentos bíblicos dentro de uma sociedade em que o homem assumiu as rédeas das atribuições divinas - produção sobre a qual espero um dia escrever algumas linhas por aqui, na "Terceira Metade".
E este ano, a assertiva se verificou verdadeira mais uma vez. IDA (Ida - Polônia/2013) ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, depois de faturar outras premiações em outros festivais.
Conhecemos então a história de Anna, uma bonita noviça que está prestes a fazer os votos e se tornar freira. Mas antes de se isolar em definitivo no convento, ela vai em busca de uma tia, Wanda, sua única parente viva.
Essa tia termina por revelar a verdadeira história de Anna, declarando que em verdade ela se chama Ida, e que ela, Ida, uma quase freira, é judia (!)
A partir destes novos fatos não mais encobertos, consequências óbvias, e outras nem tanto, ocorrem na vida de Ida.
DE 0 A 10 = NOTA 9
Por tratar de temas tão caros à recente história polonesa (2ª Guerra, Igreja Católica, comunismo), o filme se torna praticamente uma vitrine da vida nacional naquela época, uma deliciosa aula, sem descaracterizar o foco principal da produção, que é mostrar como Ida vai lidar com o tsunami personalíssimo que a engolfou.
O roteiro é linear, e mesmo quando se remontam fatos do passado, as cenas e o ritmo não são cansativos.
Obra que consolida a certeza de como a descoberta da verdadeira identidade pode impactar nossas escolhas, e do quanto não podemos negar quem de fato somos, mesmo quando as circunstâncias se desenham adversas.
Cinema nominalmente de arte da melhor qualidade!
Vejam o trailer.
(PS - Resenha dedicada à minha mãe, Dona Lena, minha fiel companheira em muitas sessões caseiras de cinema)

Que bela crítica, Geisel Ramos. Gostei!
ResponderExcluirObrigado. Quando assistir, se quiser e se puder, mande seus comentários. Um abraço.
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