quinta-feira, 18 de junho de 2015

A CAMINHO DE KANDAHAR

Vem do hermético Afeganistão a história do nosso filme de hoje.

O mundo tentava respirar um ar puro, ainda baço pela poeira do desabamento das duas torres do World Trade Center em Nova York, quando A CAMINHO DE KANDAHAR (Safar e Ghandehar - Irã/2001) entrou em cartaz nos cinemas nacionais.

Havia uma atmosfera pesada, que gerou até especulações que o Taliban, em pouco tempo, chegaria a esta parte do planeta. Paralela ao medo, crescia a perplexidade, alimentada pela curiosidade de se compreender por que tudo aquilo tinha acontecido.

Lembro-me quando fui assistir a este filme lá no cinema do Teatro do Parque (que hoje, lamentável observação, "respira com a ajuda de aparelhos"). A sala estava lotada! Todos queriam sair com respostas aos questionamentos acerca desta filosofia de vida, baseada numa interpretação literal de um dos ramos do Islamismo e que culminou em aviões se chocando com edifícios lá nos até então inexpugnáveis Estados Unidos da América. Não satisfeito, voltei dias após para ver a obra de novo.

Nela, Nafas é uma médica afegã que vive exilada no Canadá.

Um dia, ela recebe uma carta de sua irmã, que mora na cidade de Kandahar, no Afeganistão, explicando que, em razão da dura realidade do país sob o regime do Taliban, decidiu se suicidar no próximo eclipse solar, que ocorrerá em poucas semanas.

Nafas, então, parte para salvá-la. E entrando clandestinamente em seu país natal, vai redescobrindo uma terra tão ferida quanto a sua própria história pessoal.
Prêmio de Melhor Filme pelo Júri Ecumênico no Festival de Cannes de 2001.

DE 0 A 10 = NOTA 10!

Foi um dos primeiros trabalhos a expor como o Afeganistão viveu debaixo do governo insano do Taliban, que durou de 1996 a 2001.

Muitas cenas parecem ter saído de um documentário, de tão pungentes que são, havendo uma em particular, a dos mutilados disputando uma corrida no meio do deserto para conseguirem próteses arremessadas de um avião, que me impressionou muito, dado o cruel lirismo que evoca. Jamais me esquecerei dela.

A jornada empreendida pela personagem principal, narrada em primeira pessoa, é muito tocante, especialmente pela fidelidade à sua irmã, numa prova de amor raramente vista no cinema.
Segue o trailer em italiano (foi só o que deu para conseguir). Caso não entendam, as imagens falam por si.


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