
Falar sobre a Grécia está muito em voga no momento, mas infelizmente não é por nenhum dos incontáveis atributos naturais ou humanos que aquele país detém.
Laboratório da política de austeridade, quintal da União Europeia, "patinho feio" da Eurozona, primeiro país desenvolvido a dar calote no FMI, tudo isso são alcunhas que a Moderna Hélade tem estampada em suas costas nos últimos anos.
DEBITOCRACIA (Hreokratía - Grécia/2011) não poderia ser mais recomendado para se entender esta nova fase na história desta terra milenar.
Produzido por dois jornalistas gregos, Katerina Kitidi e Aris Hatzistefanou, este documentário analisa a origem da dívida interna grega e os desdobramentos daí advindos, e de maneira sóbria, mas nem tanto parcial, responde a questões importantes, tais como:

- Qual a origem da dívida grega?
- Qual foi a participação dos governos que se sucederam ao longo dos anos no manejo desta dívida?
- De quem é a responsabilidade da situação financeira tão caótica na atualidade?
- O que pensam os mais tarimbados especialistas em União Europeia e Economia Mundial?
Qual o conceito de dívida odiosa?
Os gregos realmente têm de pagar pelos graves erros cometidos pelos seus representantes?
E o FMI, onde entra neste drama?
DE 0 A 10 = NOTA 10!
Dou esta pontuação em virtude de ter sido até então o único trabalho que resolveu encarar o assunto em tela sem pudores.
Fica claro o esforço de parte dos políticos gregos e da mídia local em omitir dados sobre os desajustes financeiros que estavam ocorrendo sem que a população soubesse, fato este que se confirmou entre os anos de 2008 e 2009, revelando que estatísticas foram manipuladas para fazer com que a Grécia estivesse num patamar satisfatório de saúde econômica, no intuito de ingressar na Eurozona.
Um contexto histórico abrangente é citado no filme, para conectar o caso grego com outros que se passaram tempos antes, demonstrando que o endividamento excessivo não é ônus de apenas uma das partes, já que alguns credores têm extremo interesse em emprestar muito dinheiro a governos que gostam de torrá-lo, para depois forçá-los a pagar com acréscimos estratosféricos, barafunda na qual o cidadão comum é o lado mais penalizado da negociação.
Um contexto histórico abrangente é citado no filme, para conectar o caso grego com outros que se passaram tempos antes, demonstrando que o endividamento excessivo não é ônus de apenas uma das partes, já que alguns credores têm extremo interesse em emprestar muito dinheiro a governos que gostam de torrá-lo, para depois forçá-los a pagar com acréscimos estratosféricos, barafunda na qual o cidadão comum é o lado mais penalizado da negociação.
Documentário muito informativo, coeso e fácil de se compreender.
Bom para estudantes e profissionais de Economia, Ciência Política e Relações Internacionais, assim como ao público afeito ao assunto.
Não vale a pena postar o trailer porque é uma indicação de filme muito direcionada. Vai o documentário inteiro, com legendas em português:
(PS - Resenha dedicada à memoria de Dimitris Christoulas, aposentado grego que, no ano de 2012, se suicidou em frente ao Parlamento, no centro de Atenas, em protesto contra as medidas draconianas que a economia nacional adotara, o que gradativamente lhe tirou o sustentáculo de uma vida digna.
Sua morte é considerada por muitos como "um crime de Estado".
O mesmo deixou uma carta-manifesto de despedida, amplamente divulgada pela imprensa na época, cujo teor pode ser lido neste link:
http://averdade.org.br/2012/04/aposentado-grego-se-mata-em-publico-e-deixa-nota-de-suicidio/)

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