quinta-feira, 2 de julho de 2015

TIMBUKTU

Por hora, pouquíssimos trabalhos sobre o grupo Estado Islâmico estão disponíveis para serem vistos. 

O único que assisti até hoje, no entanto, é tremendo.

Falo de TIMBUKTU (Timbuktu - Mauritânia, França/2014), que só por ser um filme mauritano já merece menção honrosa.

Aborda fatos reais que se passaram na cidade de Timbuktu, no norte do Mali, durante o curto período em que a cidade esteve sob o domínio da milícia Ansar Dine, um dos braços militares do Estado Islâmico na África. 

No filme, se veem várias histórias aleatórias que ilustram como foi a vida do lugar naqueles dias, onde as regras mais ortodoxas do Islamismo foram aplicadas, gerando prisões e julgamentos sumários. 

Uma vendedora de peixes que se nega a usar as luvas obrigatórias para as mulheres ocultarem as mãos, uma pelada de futebol onde os participantes jogam sem bola (a mesma foi confiscada pelos guerrilheiros), um grupo pego enquanto cantava músicas não religiosas, entre outros incidentes.

Ainda que não pareça haver um fio condutor, o filme narra também a história de um criador de gado e sua família, o qual se envolve numa briga com um pescador por conta de uma de suas reses, peleja que termina em uma morte e que é levada às autoridades constituídas pelo grupo jihadista, com resultados improváveis.

Prêmio do Júri Ecumênico do Festival de Cannes de 2014.

DE 0 A 10 = NOTA 9

Foi uma grande covardia terem posto tantos bons filmes concorrendo no Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de ano, TIMBUKTU ficando entre os cinco finalistas.

Ainda que narre uma história ocorrida no Mali, tudo foi filmado nos desertos da Mauritânia.

A grande ironia da trama é que os habitantes se indagam se não são islâmicos o suficiente para agradarem aos ocupantes, e caso não, qual seria o limite da devoção requerida, porque ainda que tudo o que fazem se baseie no Alcorão e na Sharia (espécie de código de condutas civis paralelo ao Alcorão), parece que determinados comandos surgem de uma outra fonte desconhecida dos conquistados.

Ao menos para mim, o sentimento é de que futuramente veremos muitas histórias do tipo, dado que o Estado Islâmico, neste momento, ainda domina grandes porções do Oriente Médio, tendo muita influência entre grupos rebeldes na África, como o Boko Haram (Nigéria) e o Al Shabab (Somália), e nem tudo que ali se passa é revelado ao público.

Temos o trailer a seguir.




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