quinta-feira, 9 de julho de 2015

O ÚLTIMO REI DA ESCÓCIA

Idi Amin Dada tem lugar no álbum das personalidades mais controversas do século XX.

Foi presidente de Uganda, hoje um quase esquecido país africano, entre os anos de 1971 a 1979. Assumiu após um golpe de Estado e foi deposto durante a invasão do país pelo exército da Tanzânia, na esteira de uma das incontáveis guerras sem nexo que assolam a África.

O mesmo homem cuja aparência lembrava bastante Mussum dos Trapalhões, autor de aforismos como "um ser humano e um ser humano, e como um automóvel precisa de reabastecimento e de ar fresco, depois de trabalhar durante muito tempo", ou "eu me considero a mais superpoderosa personalidade do mundo, e é por isso que não deixarei nenhuma superpotência me controlar", tinha uma outra faceta nada engraçada: consta em sua conta algo entre cerca de 100.000 a 500.000 ugandenses mortos durante seu regime político.

O cinema tratou de exibir um pouco da sua história, e entre alguns exemplares, O ÚLTIMO REI DA ESCÓCIA (The Last King of Scotland - Inglaterra, EUA/2006) seria a melhor amostra da carreira deste déspota, pelo menos até agora.

Mas a história começa bem longe dos trópicos, lá na Escócia, onde Nicholas, um médico recém-formado, sem saber o que fazer após a graduação, escolhe aleatoriamente um lugar do planeta para ir trabalhar. Adivinha aonde? Sim, para Uganda.

Ele chega poucos dias antes do golpe que leva Idi Amin ao poder, e o primeiro contato entre ambos é logo após um comício de Idi Amin, em meio a um incidente na estrada. 

Um se encanta com a pessoa do outro - Nicholas por Amin, em razão da retórica e da envergadura do novo senhor da nação; Amin por Nicholas, simplesmente porque este é... escocês, nacionalidade que Amin afirma ser a da sua alma.
Escalado não apenas para ser o médico do presidente, mas um dos seus conselheiros políticos, Nicholas se embrenha não só nas esferas do poder, como também no labirinto que é a mente de Idi Amin, na vida pessoal do mandatário e ainda mais a fundo...

O jovem, sem se dar conta, vai se enroscando num denso espinheiro, com a realidade à sua volta queimando, e quando percebe a roda-viva em que se meteu, já é tarde demais para voltar atrás.

Oscar de Melhor Ator para Forest Whitaker em 2006.

DE 0 A 10 = 9

Os eventos do filme misturam fatos reais com fantasia, sendo a relação dos dois principais personagens fictícia, baseada no livro homônimo escrito pelo jornalista britânico Giles Foden, o qual participou de algumas conferências de imprensa com Idi Amin.

A interpretação de Forest Whitaker, no papel de Idi Amin, é digna de todos os prêmios que se possa imaginar, e mesmo se você não gostar do enredo, há de concordar que este renomado ator atinge seu apogeu nesta trama.

Na vida real, Idi Amin morreu em 2003, na Arábia Saudita, sem ser julgado pelos seus crimes. Mas ainda no governo, fez um pronunciamento antológico, eixo de toda a história aqui descrita:

"Muita gente na Escócia já me considera rei dos escoceses. Fui o primeiro a pedir à Inglaterra que termine sua opressão na Escócia. Se os escoceses quiserem que eu seja seu rei, eu serei"

Trailer.



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